Tempo de leitura 2'05''
Muita
gente me pergunta sobre dicas para acelerar a leitura de artigos acadêmicos e
livros de diferentes gêneros. Eu já comentei que eu fiz um curso de leitura
dinâmica na pré-adolescência? Então, nem dá pra explicar o que eu fazia naquela
turma. Era uma loucura e meu professor era um super nerd com a cara do professor Ludovico, da Disney.
Existem
muitos mitos sobre a leitura dinâmica e o principal deles é que ler rápido faz
com que você não entenda o que leu. Eu posso afirmar por conhecimento de causa
que não é assim que funciona. Quanto mais rápido você lê, mais ritmo você
imprime ao seu sistema de compreensão e aprendizagem. Do contrário, quanto mais
devagar você lê, na intenção de prestar mais atenção, mais você vai acostumar
seus sistemas cognitivos a um ritmo mais lento. Então, leia rápido. É realmente
melhor.
Ler
mais rápido é possível. Porém, há limites. Muitos cursos pela internet prometem
milagres. Algo como download do livro direto na mente. Isso não tem não. Mas há
como, respeitando seu ritmo e compreensão, ir acelerando o volume de
informações processado durante uma leitura.
Outra
questão importante de ser dita é o tipo de leitura que se tem como demanda. Já
li livros de ficção de 400 páginas em uma tarde e textos acadêmicos de Hegel de
30 páginas nas mesmas 4 horas. Relativizar é importante quando se trata de
leitura acelerada.
Fonte: Google
O escritor Tony
Buzan, a quem este blog deveria ser dedicado, escreveu um
livro sobre o tema. Ele sentia que o ritmo de sua leitura era muito lento, em
busca de superação, descobriu que era possível ler mais rápido estudando a
física dos olhos e a maneira como o cérebro processa informações, em pouco
tempo ele conseguiu dobrar sua velocidade de leitura, depois disso ele
desenvolveu um potencial que o permitiu ler
mais de 2 mil livros ao longo da vida. Pensa só... uau! Eu leio
uns 40 por ano, excetuando 2016, que foram 70. É, talvez eu chegue a esse
número um dia. Buzan diz ainda que:
“Quem pratica
leitura dinâmica compreende melhor o texto, alcança maiores níveis de
concentração e tem tempo para revisar áreas de especial interesse e relevância.”
Um das técnicas ensinadas por
Buzan e que uso muito é a Técnica de Varredura. Ela consiste em você passar os
olhos diagonalmente pela página que você vai ler. É coisa de um segundo mesmo.
Pesquisas apontam que esse procedimento realiza um tipo de registro duplo da
informação. É como se você já tivesse, de alguma forma, lido a página que
passou os olhos e, quando a lê realmente, seu cérebro tem uma compreensão maior
porque entende que é uma releitura e não uma leitura inicial.
Outra dica que me ajuda muito a
melhorar meu tempo de leitura é cronometrar meu tempo médio de leitura de
página. Pego uma página de complexidade média e marco quanto tempo eu levo para
lê-la por completo. Esse exercício me ajuda a planejar tempo de calendário para
estudos para alguma prova ou mesmo só para saber. Com meus alunos, apenas o
fato de marcarem seu tempo, faz com que se sintam obrigados e ler ao menos um
pouco mais rápido e “quebrarem” seus recordes. Vale tentar.
Eu também uso metas de leitura. De
livros mais simples, umas 50 páginas por dia é tranquilo de se alcançar. Para
livros mais difíceis, eu tiro a média de tempo disponível e vejo quanto é
possível. Mas, só de criar essa intenção de metas, já ajuda muito em direção aos
seus propósitos. Ah, usar post-its de metas também é muito legal. Você está na página
50 hoje e já cola o post-it na página 100, que seria a meta de amanhã.
A última dica é aproveitar as
janelas de tempo durante o dia. São muitas, não duvide. Por isso, sempre tenha
um livro, artigo ou partes deles com você. O pessoal dos concursos públicos
costuma até destacar as páginas e encaderná-las por capítulos ou seções.
Sinceramente, ainda trato livros como entes queridos, e essa ideia me apavora,
mas existe. Saiba disso.
O ato de ler é realmente
fundamental para nossa vida social, parafraseando o querido patrono da educação
brasileira, Paulo Freire. Falar sobre leitura e livros num país onde menos de
50% já leu partes de um livro (não estamos nem falando de um livro inteiro),
ainda é um privilégio, infelizmente. Falar de escrita acadêmica então... para
poucos. Uma pena. Mas, vamos fazendo nossa parte na construção de uma sociedade
mais equânime e que todos tenham direito a ler e escrever, seja rápido ou mesmo
devagar.
E você, gosta de ler? Deixa um comentário sobre suas ideias de leitura.
Com amor,
Ju








