segunda-feira, 25 de junho de 2018

Como fazer um plano semanal de escrita?

Tempo de leitura 2' 45''



Oi! Tudo bem?

Nas últimas semanas escrevi 3 artigos.  Só não estou vivendo um apocalipse zumbi porque todas as outras áreas da minha vida estavam bem: filho, casa, marido, mãe, avós, trabalho. Não tenho ido à academia ou ao ballet, mas pretendo consertar isso em breve. Escrevi dois artigos científicos e um para um portal novo que sou colaboradora ESCREVARTE, da Lane Lucena e da Rafa Tavolaro. Para executar bem essas tarefas, me organizei com um planejamento semanal, na verdade, um plano de escrita.

Sigo há uns anos o método GTD- Getting Things Done- criado por David Allen. Você pode aprender mais sobre o método com o livro “A arte de fazer acontecer”. O primeiro passo do GTD é a captura. Para construir o plano acadêmico das semanas seguintes eu comecei por escrever tudo que eu precisava fazer. Parece muito elementar e basicão, mas é por aí que se começa mesmo. Coletar todas as informações que estão ocupando minha memória e truncando minha mente na hora de ter as ideias que preciso.

Depois é hora de processar e planejar o que não posso/quero fazer naquele momento. Organizo minhas tarefas no meu tempo disponível. Para estudos, em uma semana de foco intenso tenho em média 10 horas para estudar e escrever. Com esse tempo em mente, e vendo quando são minhas janelas de estudo, crio um cronograma de realização de tarefas, um plano de escrita.

                                                                                                         Fonte: Google

Na prática aconteceu assim:

SEMANA 1:
Dia
Tempo disponível
Meta
Tarefa
Segunda
3 horas
Artigo Endipe
Captura de ideias, rascunho no papel, delimitação dos objetivos do texto, lista de argumentos e organização inicial das referências, início da escrita pelas conclusões. Ligar para Patrícia e Carla para saber dos seus artigos.
Terça
3 horas
Artigo Endipe
Escrita do panorama, escrita dos conceitos principais, separação de seções de escrita, Transcrição das entrevistas feitas previamente.
Quarta
2 horas
Artigo Endipe
Transcrição e recorte das falas. Escrita.
Quinta
Nada
-
-
Sexta
2 horas
Revisão do painel Endipe
Escrita. Revisão por blocos: ortográfica, coesão,  pontuação, ABNT
Sábado
4 horas
Revisão final
Revisão continuação

Vale lembrar que como planejo antecipadamente quais congressos quero participar, já vou tendo ideias às vezes meses antes da escrita. Com o artigo do Endipe foi exatamente assim. Eu sabia que queria escrever sobre o projeto de leitura que desenvolvi com uma das minhas turmas, mas não sabia aonde apresentaria. Quando o congresso foi lançado, com regras bem diferentes, eu organizei um grupo de trabalho para construirmos um painel temático sobre leitura. Fiz uma reunião por Zoom (plataforma de webinários) com Patrícia e presencialmente com Carla, o resultado foi um painel com três artigos bem complementares em ideias.

Quando o artigo é organizado antecipadamente, levo de 10 a 20 horas de trabalho para sua redação e revisão. Esse artigo já tinha as entrevistas prontas e grande parte do referencial organizado e tudo praticamente lido. Levei exatas 10 horas de trabalho nele, mas nem sempre é assim.
Na segunda semana de escrita o objetivo já era outro. Uma escrita mais leve para um portal de escrita terapêutica. Eu precisava aprontar o texto, um e-book e um áudio de 10 minutos para os assinantes do portal. Era uma semana mais apertada, mas foi possível seguir o planejamento:

SEMANA 2
Dia
Tempo disponível
Meta
Tarefa
Segunda
3 horas
Artigo ESCREVARTE
Mapa mental da ideia; pesquisa de referências, leitura dos artigos do Portal
Terça
5 horas
Artigo ESCREVARTE
Escrita do Artigo e organização do E-book de Mapas Mentais Acadêmicos
Quarta
2 horas
Artigo ESCREVARTE
Estrutura dos tópicos a serem tratados no áudio para o Portal.
Gravação do áudio.
Enviar para avaliação do editor. Replanejar. Regravar.
Quinta
Nada
-
-
Sexta
Nada



Na terceira semana, pensei que Apocalipse iria chegar, mas até que deu para dar contar da vida. Esse terceiro artigo  é uma escrita sem data ainda, sem prazo de entrega, mas que quero me organizar para ter um bom material quando uma boa revista abrir chamada de artigos.
SEMANA 3

Dia
Tempo disponível
Meta
Tarefa
Segunda
NADA
-
-
Terça
4 horas
Artigo REVISTA
Mapa mental do artigo, colher as referências, pesquisa nas bases de dados.
Quarta
NADA
-
-
Quinta
Nada
-
-
Sexta
Nada
-
-

Já viram que a terceira semana foi caótica. Apenas 4 horas disponíveis na terça!  O calendário na universidade que trabalho terminou o ano letivo de 2017 há poucos dias e iniciando 2018 com uma faxina homérica na minha sala de aula. Daquelas dignas de programas de televisão que tratam de acumuladores. Ufa. Foi.

Eu sabia que esse artigo levaria talvez três semanas devido a minha disponibilidade, mas foi importante fazer ao menos o mínimo para poder completar na semana seguinte e não perder o ritmo de escrever sempre.


SEMANAS 4 e 5
Dia
Tempo disponível
Meta
Tarefa
Segunda
3 horas
Artigo REVISTA
Trabalhar as referências e bases de dados, ler os resultados da pesquisa e pensar na seção discussão.
Terça
3 horas
Artigo REVISTA
Trabalhar a pesquisa do Google forms, esquematizar os gráficos e levantar uma tabela  de argumentos e seções, escrita
Quarta
2 horas
Artigo REVISTA
Escrita com base no Mapa e na tabela.
Quinta
Nada
-
-
Sexta
2 horas
Artigo REVISTA
Escrita com base no Mapa e na tabela
Sábado
3 horas
Artigo REVISTA
Revisão por blocos


Dia
Tempo disponível
Meta
Tarefa
Segunda
4 horas
Artigo REVISTA
Releitura e edição
Terça
3 horas
Artigo REVISTA
Edição por blocos e inserção de autores
Quarta
2 horas
Artigo REVISTA
Escrita com base no Mapa e na tabela.
Quinta
Nada
-
-
Sexta
2 horas
Artigo REVISTA
Escrita com base no Mapa e na tabela
Sábado
4 horas
Artigo REVISTA
Revisão por blocos

Essa sistematização me organiza e orienta para o próximo passo. Seria a transformação de um projeto (Escrever o artigo X), em tarefas específicas como fazer o mapa mental, revisar por blocos ou conferir as referências.

Espero que esse exemplo ilustre como é minha rotina de escrita e a partir daí você pense sobre a sua. A chave para mim é manter a consistência. Fazer sempre, se possível todos os dias te aperfeiçoa, cria hábito e faz com que o processo de escrita seja cada vez mais prazeroso.

Escrever é um direito.
Empodere-se.

No meu livro eu falo sobre rotinas de escrita. Se quiser saber mais, pode adquirir no link no topo a direta da página ou no link abaixo.


Dia 14.07 te espero no lançamento!

Com amor,
Ju.

domingo, 17 de junho de 2018

Dicas de Produtividade para Acadêmicos


Nosso primeiro infográfico! Compartilhe e repasse para os amigos!

Com amor,
Ju.

Lançamento do meu livro!

Oi, gente!

Com muita felicidade no coração eu convido para o lançamento do meu livro Sua Vida Acadêmica.
O evento será no Rio de Janeiro, na Livraria Leitura do Shopping Nova América.

Dia 14/07/2018, sábado, 16h.

Em agosto, o lançamento será em São Paulo. Divulgo em breve.

Vai ser um evento lindo!



Escrevi esse livro em três meses e ele tem cerca de 50 artigos. Uma parte deles foi publicado no blog e a outra é inédita, construída especialmente para quem deseja ler um livro prático e leve que trate de dicas e estratégias para escrever mais e melhor. Falo nele sobre Mapas Mentais, construção de rotinas, dicas de escrita e muito mais. Um conteúdo que é pensado a partir da gestão do tempo, gerenciamento de tarefas e rotinas para estudar e escrever.

Se você já comprou o livro, leva para eu autografar! Se não comprou, poderá adquirir o seu durante o evento. Se quiser passar para tirar uma foto e me dar um abraço, também vai ser ótimo!

Como uma das minhas frases favoritas diz: "Escrever é dividir-se" (Bartolomeu Campos de Queirós).
Vamos dividir conhecimento e multiplicar alegrias?
Vem!
Te espero!
Vai ser especial.

Com amor,
Ju.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Como construir uma rotina?




Hoje farei um post diferente. Falarei sobre minha rotina.
Tempo de leitura: 1'46''

Eu leio muita coisa e cada ano dou uma ênfase diferente. Esse ano o assunto é construção de rotinas.

Rotinas são muito importantes para mim e para minha família. Meu filho tem autismo e as rotinas tem um poder de acalmar, dar clareza e encadeamento de atividades. Lembrando que entendo como rotinas sequências de atividades para automatizar alguns processos na minha vida e assim abrir espaço para outras coisas  mais importantes.
Tenho basicamente quatro rotinas fixas: a rotina da manhã quando estou em casa, a rotina da manhã quando estou no trabalho, a rotina da tarde e a rotina da noite.
Quando estou em casa, tenho uma sequência fixa de atividades que englobam café da manhã e higiene, meu e do meu filho, consultar o planejamento do dia e da semana, agendar tarefas e compromissos e tomar água e chá. Essa rotina dura uns 50 minutos. Depois desse bloco, começo a trabalhar. Nos dias em que estou em casa tento me organizar por demandas: extensões, orientações de monografia, blog, redes sociais, estudos, leituras e escrita de artigos e alguma demanda na rua. Organizo uma lista de checagem para não me perder. 

Quando estou no trabalho, tudo é corrido. Chego 50 minutos antes do horário por motivos de trânsito insano e vagas e estacionamento. Nesse tempo minha rotina é ler, ver e processar alguns emails e mensagens. O planejamento do trabalho executo fora do horário de aulas, claro, mas ainda no ambiente de trabalho para não soterrar minha casa com papel e livros. Meu material de trabalho fica, em geral, no meu armário no trabalho. Separar as coisas é importante para mim. Meu trabalho é uma das áreas da minha vida e não o sentido dela.

Minha rotina da tarde é fixa e consiste em fazer as tarefas com meu filho: lemos juntos a agenda da escola, providenciamos materiais para as aulas, lemos histórias, fazemos as atividades fonoaudiológicas, desenhamos, cuidamos das plantas e brincamos. Nos dias de sol, andamos de patinete na rua (Moro numa cidade onde ainda é possível). Essa rotina dura entre uma e duas horas.

A rotina da noite também é fixa. Inclui o jantar, a organização mínima da casa, preparar a roupa e a bolsa para o dia seguinte, caso seja meu dia no trabalho. Desligar os dispositivos eletrônicos ao menos uma hora antes de dormir, colocar meu filho na cama às 20:30min e ainda sobrar um tempinho para relaxar e desacelerar.

Quando tenho/quero escrever um artigo, organizo pelo tempo disponível e por semanas de trabalho tentando não incluir os finais de semana. No próximo post falarei sobre como se organizar o trabalho acadêmico me semanas.
Muita gente me pergunta se tenho horário certo para ler, já que leio bastante e a resposta é sim e não. Quando eu estou no trabalho, sim, como chego bem cedo, leio e isso é fixo. Mas em casa, não, leio apenas nas janelas de tempo disponíveis, alguma fila, quando meu filho está brincando sozinho. Basicamente quando dá.


                                                                                              Fonte: meu bullet journal

Nada vem do nada. Minha disciplina de organização acadêmica e de vida vem de uma demanda familiar que nos faz muito bem. O blog Sua Vida Acadêmica, as oficinas de escrita acadêmica e o livro que escrevi estão alinhados com esse propósito: organizar e abrir espaço ao que realmente importa, dando prioridade ao que de fato é prioritário. No meu caso, minha família.
E para você, o que é prioridade?
Nessa linha, recomendo o livro de Elsa Punset "O Livro das Pequenas Revoluções". 
Gratidão por tudo!
Com amor,
Ju.
E se você quer adquirir meu livro, segue o link:

sábado, 26 de maio de 2018

Como fazer pesquisas acadêmicas?



Tempo de leitura: 1'40''


Oi, gente! Tudo bem?
Mês de maio. Quem está soterrado de trabalho aí, levanta a mão!

Nas duas últimas semanas fiz duas palestras abordando o tema do título. Na verdade, o assunto era a formação do professor-pesquisador, mas o que fez sucesso mesmo foi o uso de algumas estratégias de captura para as pesquisas acadêmicas.

Como eu trabalho em uma universidade, sempre tenho (ou tenho que ter) uma pesquisa no gatilho. O espaço universitário ajuda muito nesse sentido. Pesquiso sobre as práticas na sala de aula, sobre as orientações de monografia que ajudo a desenvolver, sobre o grupo de pesquisa- Políticas Públicas, Território e Juventude- e ainda sobre as quatro extensões universitárias em que sou colaboradora, duas sobre leitura e duas sobre processos de inclusão de pessoas com necessidades especiais.

Para organizar meu tempo, já que eu tenho uma vida fora da universidade \o/, eu trabalho com a metodologia do GTD- Getting Things Done- do guru da produtividade David Allen no livro que eu mais recomendo na vida: A Arte de Fazer Acontecer. (Só leiam e depois me agradeçam).

O termo CAPTURA para ele é um dos passos básicos do GTD, um dos cinco passos para dominar o fluxo de trabalho.
Segundo Allen (2015),
É importante saber o que precisa ser capturado e como fazer isso de forma eficaz para que possa ser processado apropriadamente. Para libertar sua mente da necessidade de se ater a tudo, você precisa ser feito ou decidido e ter certeza de que, em algum momento, vai processar e revisar tudo isso. (p.59)







Existem vários tipos de ferramentas que podem ser usadas para capturar as pendências ou ideias de quaisquer tipos, inclusive as acadêmicas, sejam elas tecnológicas ou não que uso e recomendo:

1-       Cadernos

O caderno e folhas soltas podem capturar ideias aleatórias, tarefas, informações ou breves registros. O caderno de campo já é um instrumento mais direcionado para específicas anotações que ocorrem no campo, no loco da pesquisa, que pode ser uma escola, uma empresa, uma aldeia, dentre muitas outras possibilidades.

2-       Gravador

O gravador ainda é um instrumento muito utilizado entre os pesquisadores para captura imediata de ideias, notas mentais, percepções e tarefas a serem cumpridas. Hoje em dia eu não tenho mais um gravador físico, mas uso aplicativos ótimos no meu telefone celular que auxiliam muito.

3-       Whatsapp

Um instrumento rápido que uso muito é o grupo no Whatsapp. Recentemente fiz uma pesquisa que incluía entrevistas estruturadas, com perguntas fechadas. Criei um grupo no aplicativo incluindo mais uma pessoa, como é o procedimento de criação de grupos e, em seguida, excluí essa pessoa. Logo, fiquei sozinha no grupo de nome “Pesquisas 2018”. Ali armazenei fotos de capas de livros que queria usar como referências, os áudios das entrevistas, anotações e fotografias das produções dos estudantes. O objetivo era ser funcional, bem minha cara mesmo. Tem dado certo. Na hora da escrita, é bem simples. Abro meu Whatsapp no computador e PLIM! Bastante prático e minimamente organizado, como eu gosto.

4-       Evernote

Outro aplicativo que uso há 7 anos e recomendo é o gerenciador de notas Evernote. Faço essa captura imediata também por meio do meu celular. Existem outros aplicativos igualmente bons: Trello, Todoist, OneNote, Google Keep, mas eu falo do Evernote porque é o que eu conheço mesmo. Teste o que se encaixa na sua vida e colha os resultados de mais organização e funcionalidade. (pareceu frase de comercial, hehehe).

5-       Mendeley

Outra ferramenta ímpar, que recomendo muito é o Mendeley. Ele é um gerenciador de referências. Isso mesmo, referências bibliográficas. Você instala no seu computador e vai alimentando o sistema. A curto prazo é apenas legal, mas depois de um ano produzindo você sente uma diferença muito grande. Na hora de escrever, ele automatiza processos e arquiva as referências dos seus autores mais usados (super comum para pesquisadores que ficam algum tempo no desenvolvimento do mesmo tema, ou de temas correlatos). Conheça. É minha dica.
Escrever é um direito. Conhecer estratégias para se organizar e escrever mais e melhor, também. 

Espero ter ajudado.

Com amor,
Ju.


quarta-feira, 9 de maio de 2018

Rascunhos Acadêmicos


Tempo de leitura: 1' 24''


            Howard Becker, no livro “Truques da Escrita: para começar a terminar teses, livros e artigos" (Editora Zahar) indica a técnica da escrita livre para o desenvolvimento de projetos acadêmicos. Parafraseando Becker (2015), a escrita livre seria um apanhado do fluxo de uma ideia, sem a preocupação com a estrutura e organização sintática formal do texto. Becker valoriza esse movimento de escrita do rascunho acadêmico como estratégia de escrita. Preocupado com a organização final do texto, aponta para uma escrita rápida e uma revisão criteriosa na construção dos ajustes que mostram a correção e refinamento do texto acadêmico.

          Na prática, a escrita do rascunho é uma série de anotações, a princípio desorganizadas, sobre um tema.          

Para escrever um artigo, primeiro eu faço um brainstorming sobre os temas que gostaria de desenvolver, seja por pertinência ao eixo de um congresso ou revista ou ainda para registrar uma prática. Seleciono três dos temas que surgiram na captura de ideias e estruturo essas três palavras como palavras-chave da minha proposta de escrita.

Em seguida, faço um esboço de Mapa Mental, me atentando para as Ideias de Ordenação Básica (IOB) (BUZAN, 2005), que pretendo desenvolver no meu texto. Usando o Mapa Mental como planejador das seções da escrita do meu artigo, começo a desenvolver meu rascunho.

Na elaboração do meu rascunho, sei que muita coisa vai mudar, e que vou ler e reler esse fragmento. Então, não me preocupo com a organização. No meu rascunho insiro citações que gostaria de utilizar, quadros com sínteses de teorias que estou tentando compreender melhor, e principalmente, anotações livres. No desafio das 750 palavras por dia, que venho trabalhando há alguns meses, o fluxo de escrita de rascunho é muito relevante na minha produção recente.


                                                                                         Fonte: Google

As anotações ou escritas livres são para mim os textos mais importantes. Neles há muita originalidade e fluxo. Algumas ideias que estão sendo processadas ao longo do texto por seu subconsciente são surpreendentemente reveladas quando escrevemos livremente sobre uma temática. Questão essa que dificilmente aparece quando já começamos a trabalhar num texto mais formatado.

Em uma das primeiras atividades do mestrado, minha orientadora pediu de três a cinco páginas sobre tudo o que já tivéssemos construído sobre juventude e desigualdade, sem citar autores, mas ancorando-se neles, claramente. Para nossa surpresa, (minha também, não se engane) a qualidade do texto que eu produzi fez com que ela mesma refletisse sobre anos dando curso de Sociologia da Juventude e como poderia ter simplificado ou abordado alguns conceitos de forma diferente. Fica a dica! Segue o fluxo!

Outra funcionalidade importante do rascunho acadêmico é seu próprio armazenamento em si. Guardar uma ideia para maior maturação tem se mostrado relevante na minha prática de organização acadêmica. Começar um texto do nada é muito desafiador. Meu pontapé inicial é sempre da leitura de duas ferramentas de armazenamento: minha pasta de rascunhos acadêmicos, onde estão as anotações mais loucas e desorganizadas que você possa imaginar e meu Evernote, dispositivo de gerenciamento de notas que uso para capturar capas de livros, fotografias de citações, áudios e até a digitalização das minhas anotações manuscritas – desde que estejam escritas em letra caixa-alta (tudo maiúsculo)- com essas duas fontes nunca parto do nada, sempre tem uma ideia ou proposta que apontei em anotações anteriores e que são possíveis de desenvolver.
Essa é minha de hoje: escreva com liberdade, mas revise com diligência!

E se você gostaria de estudar comigo na próxima Oficina de Escrita Acadêmica, me manda um email (julianaprata.prof@gmail.com) ou Whatsapp (986563125).

A próxima turma será no dia 16/06, sábado, das 9 às14h, no centro do Rio.