quarta-feira, 12 de abril de 2017

Construindo um Projeto de Mestrado


Esse texto foi pensado com muito amor para uma ex-aluna, Analú. Uma das mais perspicazes. Fui sua professora de Sociologia no Ensino Médio. E, para minha grande felicidade e realização, ela está concluindo sua graduação em Ciências Sociais e se prepara para o mestrado.
Se você também tem interesse em saber como construir um pré-projeto de mestrado, fica comigo! Aqui as dicas são sempre certeiras!

Quero falar que trato de pré-projeto e não de projeto porque entendo que ele pode e vai mudar. Então, se liga.

1- Participe do grupo de pesquisa de seu orientador de monografia.

Esse é um caminho mais simples para o mestrado. Eu sei que tem trabalho, casa, vida, tudo. Mas você deve priorizar. Para o mestrado o mais importante é a pesquisa. Não exatamente a sua, mas do seu orientador. É sério.
Analú, sei que você não tem TCC e por isso minha sugestão de escolha de orientador é sempre: 1- boa pessoa (Não chame o capeta pra sua vida é uma de minhas metas) e 2- tema legal. Pense nos seus professores que atuam na pós.

2- Não tem orientador? Vá ao site do programa de pós-graduação e leia sobre as linhas e pesquisas.

Busque os professores que trabalham com temas interessantes e que você gostaria de estudar e pesquise seus currículos Lattes (lattes.cnpq.br). Procure no Lattes dos professores os autores que eles usam na estrutura de suas pesquisas. Isso é bem fácil. Leia os títulos dos trabalhos, podem vir escritos os nomes de alguns referenciais. Ou mesmo baixe dois ou três artigos do potencial orientador e vá direto para as referências para identificar pelo menos três autores trabalhados.

3- Apresente-se!

Sim, na cara de pau. Envie um e-mail (está na página do Lattes de sua vítima, digo, potencial orientador). Marque um encontro de preferência antes de o edital ser publicado, por questões éticas óbvias. Como fazer isso? Beibe, estamos em abril. Período certo para se fazer isso. Os editais de processos seletivos de mestrado começam a pipocar de julho a setembro. Corre então na página do programa que você quer e baixa o edital do ano passado e pesquisa. Não sabe qual página? Dá um google: mestrado em ... e vão aparecer universidades públicas e privadas que têm programas de pós-graduação Stricto Sensu.
Ah, se convide para o grupo de pesquisa!


4- Apresente-se mesmo!!

Se deu para conversar com a pessoa, show. Se não deu, continue na luta. Eu conheci minha orientadora querida, ao contrário dos mitos acadêmicos, NO MOMENTO da entrevista. Não faça isso, é muito arriscado. O que você escolheria: um estudante que você conhece e sente firmeza ou um que nunca viu e nem sabe se foi ele mesmo que fez o pré-projeto? Pois, é.

5- Apanhado de ideias

Com a lista de autores-referência, leia dois ou três artigos, principalmente os que vêm citados nos artigos de sua vítima! Grife, entenda, resuma, estude. Após esse processo, faça um brainstorming das suas ideias no papel. Escreva todas as palavras que vem à mente sobre o tema que você está construindo. Escreva por 20 minutos. Fique concentrado. Sua mente vai ser estimulada à uma composição aparentemente aleatória que montam um universo de conceitos que podem ser muito bem aproveitados na escrita.
Você pode estar pensando em fazer uma sessão dessas todos os dias. Perda de tempo. Nosso cérebro funciona por padrões estabelecidos por nossos hábitos e preferências. Essa atividade é para ser realizada com intervalos grandes de tempo. Caso contrário, você vai encontrar praticamente as mesmas palavras. Vai por mim.

6- Possibilidades de escrita: O quê? Como?

Então, agora vamos organizar essa bagunça. Leia as palavras de sua tempestade mental e garimpe a que faz mais sentido para você. Por onde você começaria. Pense exatamente o que você gostaria de pesquisar e como, a princípio.
Digo a princípio porque é um pré-projeto. Ele pode e talvez vá mudar. Talvez até no dia da entrevista sua vítima te esclareça isso.

7- Referencial

Depois de ler as palavras que vão nortear sua escrita e pensar no o quê e no como, escreva a lista de referencial teórico e uma frase curta que sintetize MUITO o que o autor diz. Aí você vai estar preparado para fazer uma das coisas mais importantes: o plano de escrita, O MAPA MENTAL.

8- Mapa Mental

Eu amo mapas mentais. Para tudo. Desde planejar a semana até apresentar um trabalho em congresso.
Mapa mental é uma poderosa técnica gráfica que permite desbloquear o potencial cerebral. Concentra grande parte das capacidades relacionadas com palavras, imagens, números, lógica, ritmo, cor e espaço, numa única ferramenta (BUZAN, 1981). É ainda um instrumento de orientação poderoso (DIMAS, 2016). É uma ferramenta que usa os dois hemisférios do cérebro e possibilita treinar a memória criativa, organização de informação e ideias e associação de informação (BUZAN, 1990)
Um mapa mental usa cores, linhas curvas, imagens e associação de ideias (DIMAS, 2016)
A ideia central é escrita no meio de uma folha apenas em UMA palavra, as ideias periféricas vão se acoplando num segundo espaço e sucessivamente as ideias seguintes, todas naturalmente associadas com a lógica que você está criando.
Tenho um texto só sobre MAPA MENTAL aqui no blog. Procura lá.
Então, formado seu Mapa, seu plano de escrita, você já tem o tema, cada tema secundário pode ser um tópico de análise ou capítulo, cada ideia terciária pode funcionar como norteador da escrita dos parágrafos e até como definidor das frases importantes que constarão no projeto. Gostou? Eu amo. Eu falo isso há dois anos aqui no blog.

9- Escreva!

Observe seu Mapa Mental e as normas de escrita do pré-projeto que constam no edital de seleção. Obedeça as etapas sugeridas, que não verdade não são sugestões não, tá!? Aqui eu mando a real!
Geralmente são: título, nome, orientador, linha de pesquisa, introdução, metodologia, resultados, discussão, conclusões e referenciais. Alguns pedem cronograma também. Isso eles fazem só para verificar se você não é sem noção. Eles sabem que esse cronograma é furado. Tem questões no mestrado, especialmente na entrevista que são quase como um teste psicotécnico. Sobre isso falarei em outro artigo “Entrevista de mestrado”. Rezem para que seja ainda esse ano, rss..

10- Revise

Revise com cautela. E tenho dito.

É isso, espero ter ajudado. Esse é o conjunto das minhas experiências que me renderam uma nota muito boa no meu pré-projeto de mestrado. Agora é com você.

Com amor,

Ju.

Um comentário:

  1. Ju,amei o texto. Simples e completo. O mestrado deixou de ser um bicho de sete cabeças.
    Bjs!

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