quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Vida Acadêmica e Viagens: entrevista com Vinicius Monção

Oie, amigxs.

Hoje no blog temos a honra de receber nosso primeiro convidado para uma entrevista.  E que convidado, minha gente! Vinicius Monção é um homem profundo e em constante construção. Ele é professor universitário, fotógrafo, doutorando em Educação, viajante experiente, mas, mais do que a preocupação com rótulos, sua vida se baseia em viver bem. Vinicius concilia estudos, trabalho, casa, família, fotografias, artes, viagens e tudo mais. Ele fala nesta entrevista sobre o equilíbrio na vida, sua vida acadêmica, suas viagens como projetos de formação pessoal e muito mais. Ah, ele também fala como se estabelece sua metodologia de estudos e dá muitas dicas.

Vinicius, muito obrigada pela oportunidade de nos conceder essa entrevista. Gente, pensa num cara discreto? Pois é, é ele. E quem quiser conhecer mais do trabalho fotográfico do Vinicius Monção pode conferir em www.viniciusmoncao.com



Sua Vida Acadêmica: Você tem uma rotina de estudos? Fale um pouco sobre ela.

Vinicius Monção: A palavra "rotina" me assusta um pouco. Não gosto de estruturas fixas que possuem poder de aprisionamento e por isso sigo meu próprio caminho de trabalho. Eu optei por trabalhar com mapeamento e cronograma de tarefas, assim consigo sempre visualizar o que tenho que fazer e qual meu tempo hábil para a produção. Se tenho que entregar um texto para dois meses a frente, estabeleço, em um papel, o que preciso fazer e monto um cronograma. Não deixo nada para o último dia. O que puder fazer para terminar antes eu faço. Isso permite agilidade no processo e me garante tempos livres para o ócio e para fazer outras coisas que a priori não haveria tempo. A partir desse cronograma produzo a partir do meu estado de espírito e conciliando as tarefas do dia a dia. Quem vê de fora diz que eu não tenho rotina de estudo, o que é verdade. Eu não tenho rotina, tenho uma metodologia de trabalho que consegui construir e está pautada no meu modo de vida.


SVA: Viagens são uma de suas paixões e você não deixou de viajar nesse período do doutorado. Como foram/ são as estratégias para equilibrar trabalho-estudos-paixão?

VM: Não deixei e espero nunca precisar deixar. Nossa sociedade é formada por oposições. Trabalho e lazer. Amor e ódio. Alegria e tristeza. etc... Nós crescemos nessa binaridade e nunca a questionamos (pelo menos a maioria da população). Eu penso da seguinte forma. Tudo que faço é uma opção minha. Se é opção minha elas não podem ser opositoras e sim complementares. Se são complementares cada uma deve coexistir sem sufocar a outra. Encontrar o equilíbrio entre as tarefas é a chave da felicidade e do uso mais prazeroso da vida e do tempo que dispomos. As forças complementares são mais fáceis de gerir que as forças opositoras.
A partir dessa perspectiva eu monto um cronograma de trabalho de forma que eu possa me dedicar as tarefas do doutorado ou do trabalho no momento em que elas são necessárias. Assim produzo e durmo o tempo necessário ao meu descanso. Vou à praia. Vou ao cinema e faço tudo o que tenho vontade e necessidade. Antes de mais nada, vale apontar que não sou hedonista. Só acredito que viver bem significar conseguir equilibrar as demandas da vida.


SVA: Como são para você as experiências que adquirimos nas viagens?

VM: Considero o ato de viajar é o momento de se encontrar e se conhecer, antes de mais nada. É no caminho que consigo me perceber no mundo. É no trajeto, fora da segurança de casa e do amor dos que são próximos a mim que consigo perceber minhas fraquezas e pontos fortes. Sempre viajo com algum propósito pessoal e nunca encontro respostas. Ao contrário. Minhas perguntas são respondidas com outras perguntas. A última que fiz foi com minha mãe. Fizemos uma peregrinação. Nessa viagem me encontrei com o tempo. Vi o tempo passar. Vi minha mãe mais velha e eu também. Me vi em um outro momento da nossa relação e isso foi lindo.
Entendo que as viagens, para mim, são momentos de formação individual. Elas fazem parte do  meu projeto de formação intelectual e humana. Elas me proporcionam emoções, aprendizagem e referências que nenhum livro ou curso me permitiria. Ainda sobre essa última viagem (comento novamente sobre ela pois é a mais fresca na memória), quando eu entrei na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, o que mais me comoveu foi a capacidade humana em interpretar e criar rituais. Ali, no meio de tantos cristãos, percebi que o ramo do catolicismo que sigo é uma poeira frente ao mundo de possibilidades de experimentar o cristianismo que existe no mundo.
Viajar é muito mais que turismo (embora seja a principal associação que muitos fazem). Gosto tanto de viajar que estabeleci essa temática para minha pesquisa de doutorado. Só para matar a curiosidade, investigo a formação profissional de uma professora brasileira do século XIX-XX, Maria Guilhermina Loureiro de Andrade, a partir do ponto central que foi uma viagem que ele faz a cidade de Nova York entre os anos de 1883 e 1887. Na pesquisa eu viajo na viagem dela, rs. Se quiser saber sobre minha pesquisa clique no link: https://www.academia.edu/27255560/Viajar_para_aprender._Maria_Guilhermina_Loureiro_de_Andrade_e_sua_viagem_%C3%A0_cidade_de_Nova_York_1883-1887_


SVA: Você tem outros hobbies? Quais?

VM: Sim. A fotografia que é uma relação de amor e ódio. Aprendi a fotografar na marra em razão de um trabalho que tive certa vez e daí em diante não parei. Gosto de fotografas arquitetura. O traçado arquitetônico das cidades me encanta. Minha questão com a fotografia é a mesma coisa da primeira pergunta. Quando me percebo muito envolvido com ela, quando começo a ver como uma obrigação ou ela cai na rotina, eu me afasto. Ela sai do equilíbrio e para reencontrá-lo é necessário dar-me tempo. Nesse momento estamos de bem. Construí até um sítio, se quiser ver minhas fotos é só clicar aqui: www.viniciusmoncao.com


SVA: Como tem sido seu processo de composição do texto da tese?

VM: Escrever não é uma tarefa fácil. Pelo contrário! Acho muito difícil escrever textos acadêmicos principalmente por eu não ter tido uma boa formação da língua escrita no período escolar. No entanto eu sei que escrever é técnica e prática. Quando mais escrevemos mais possível a coisa fica. A escrita da tese passou pelo momento da "crise do quadro branco". Aquela que você fica sentado na frente do computador com o editor de texto aberto e não consegue encontrar o "como" ou "por onde começar". Quando encontra o texto caminha. Segue seu fluxo. Atualmente estou no meio da tese e confesso que estou muito feliz com o resultado que alcancei. Aprendi a escrever e vejo o quando consegui aperfeiçoar durante minha jornada acadêmica. Fiquei feliz pois a persistência e os tombos de fato são importantes para o processo de formação individual. Ah, uma dica. Forçar a escrita não é um bom artifício para escrever. Se você se sentir bloqueado não se force. O texto vai começar truncado e vai ser um parto terminá-lo. Busque outras leituras. Selecione algum material que possa te ajudar e que se relacione com o assunto como imagens, músicas, vídeos... qualquer coisa. A melhor forma de se inspirar é buscar elementos em lugares que não são comuns para você. É assim que faço e dá certo.


SVA: Qual a importância da relação da relação com o orientador na pós-graduação?

VM: Para mim é primordial! Uma relação ruim com o orientador é um passo para o sofrimento e não sucesso do processo. Felizmente eu consegui encontrar uma pessoa muito próxima, acessível e humana para me orientar. Tanto que no final do mestrado a consultei se ela teria interesse em me orientar no doutorado. Esse foi o principal fator que me fez continuar no grupo de pesquisa que faço parte a fazer doutorado em outra instituição. O investimento na relação humana demanda tempo e disponibilidade dos sujeitos.


SVA: Quais são os desafios de trabalhar e cursar o doutorado?

VM: Conciliar trabalho e estudo nunca é fácil e essa equação se torna mais difícil em uma pós graduação. Penso que no mestrado o processo é mais agressivo que o doutorado em razão da duração dos cursos (2 anos e 4 anos). No doutorado, felizmente, gozo de um estilo de vida que consegui construir. Sou bolsista CAPES, sou docente no ensino superior (no momento substituto/temporário pois no Brasil não se pode ter carteira assinada e ser bolsista). Atualmente o mais difícil é pensar no término do curso. A situação política e econômica me assusta diariamente já que campo de trabalho, também (!!!) para quem tem título de doutor, está cada vez mais depauperado, escasso e desvalorizado. Mas sobre isso não vale me deter atenção. Para cada tempo as suas angústias.     


SVA: Em uma frase, como você resumiria sua vida acadêmica?

VM: Faça o que te traga satisfação e nunca se violente.

Bem, é isso, gente. Bom demais, não?
Espero que tenham gostado.
Sua Vida Acadêmica cumprindo as promessas de ano novo!!

Com amor e muita gratidão ao Vinicius e a você leitor,
Ju.

Um comentário:

  1. Juliana e Vinícius,
    Adorei ler a conversa de vocês.
    Estudar, trabalhar, viajar... tudo integrando valores, despertando possibilidades, nos motivando a refletir, a buscar satisfação, sem ferir o coração.
    Parabéns! Suas palavras estão ecoando em minha cabeça!
    Sucesso em sua tese!
    Beijos,
    Marta Paty

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